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INOVAÇÃO | 26.02.2025

O setor insurtech latino-americano encerra 2024 com mais de 500 insurtechs, apesar de um cenário adverso

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  • O investimento anual no ecossistema diminuiu 38% em relação a 2023 e atingiu 92 milhões de dólares. No entanto, durante o segundo semestre de 2024, houve uma recuperação de 156% em relação ao primeiro semestre de 2024, o que prevê um contexto positivo para 2025.
  • O número de startups na região chegou a 502, representando um crescimento anual de 5%, com uma média de 12% desde 2021. A taxa de mortalidade foi de 9,4%, enquanto o crescimento orgânico atingiu 15%, o que significa que surgiram 70 startups insurtechs ao longo do ano.
  • A expansão internacional cresce 23%, com um índice de internacionalização de 15,9% liderado pelos ecossistemas do Chile (+32%) e Peru (+50%) por suas necessidades de escalabilidade. O índice de atração de insurtechs estrangeiras está em 29%.
  • 51% do ecossistema insurtech é voltado para a distribuição digital, enquanto 49% é habilitador e colabora com (re)seguradoras e intermediários.

O financiamento insurtech na América Latina atingiu 92 milhões de dólares em 2024, 38% a menos em relação a 2023. No entanto, durante o segundo semestre do ano, houve uma recuperação de 156% em comparação com o primeiro semestre de 2024, o que denota perspectivas positivas para 2025 e a existência do interesse dos investidores pela região.

Apesar deste contexto de baixa captação de investimento no cálculo anual do investimento em venture capital ou capital de risco, o número total de startups do ecossistema insurtech na região é de 502, o que representa um crescimento de 5% durante 2024. Considerando que a taxa de mortalidade foi de 9,4%, o crescimento orgânico é de +15% ao ano, com 70 novas insurtechs.

Estas são algumas das principais conclusões do relatório “Latam Insurtech Journey”, elaborado por Digital Insurance LATAM com o patrocínio da MAPFRE. Esta é a nona edição deste documento que analisa o estado da indústria insurtech na América Latina.

O ecossistema cresce, apesar da escassez de investimentos

Ao analisarmos o total de startups existentes na região, Brasil (206), México (120) e Argentina (88) são os países com o maior número de agentes, e a zona do Pacífico é a que apresenta o maior crescimento percentual, com destaque para Peru (+26%), Chile e Equador (+21% cada um) e Colômbia (+18%).

Em 2024, a expansão internacional cresceu 23%, com um índice de internacionalização total de 15,9%, ou seja, startups multilatinas que operam em mais de um país.  Peru (50%) e Chile (32%) são os principais impulsionadores do aumento no índice de expansão dada a sua necessidade de escalar os negócios; o Brasil, em contrapartida, exporta muito poucas insurtechs (<1%) devido à natureza de seu próprio mercado

O índice de atração de insurtechs estrangeiras é de 29%, o que significa que três em cada dez insurtechs em um mesmo mercado são estrangeiras. Os três principais polos de atração são México (36%), Peru (64%) e Colômbia (51%).

Peru (64%), Equador (51%) e Colômbia são os países da América Latina que atraem mais empresas insurtechs estrangeiras.

“O crescimento contínuo dos dois índices (internacionalização e atração) marca duas tendências: as insurtechs com uma boa proposta de valor se expandem rapidamente, e tanto as startups de fora da América Latina quanto as multilatinas consideram a região como um único grande mercado”, comenta Hugues Bertín, CEO da Digital Insurance LatAm e presidente da AIP (Aliança Insurtech Pan-Americana).

A mortalidade das startups insurtech continua em queda

A taxa de mortalidade anual do ecossistema está em 9,4% (vs. 12,7% em 2023).

As startups insurtech que não conseguem expandir para outros países encontram-se em uma situação de vulnerabilidade. A mortalidade das startups multilatinas é três vezes menor do que a das insurtechs locais.

Em 2024, o Brasil conseguiu melhorar sua taxa de mortalidade, reduzindo-a de 12% para 7%. O México, por sua vez, registra a maior taxa de mortalidade, com 12%. Argentina e Colômbia registraram melhorias, com taxas de mortalidade de 9% e 8%, respectivamente, no último ano.

Habilitadoras e distribuidoras se equilibram

51% das insurtechs estão focadas na distribuição. Esse dado representa uma queda de 8% em relação a 2020; embora a distribuição ainda seja o segmento majoritário, o interesse do ecossistema tem se voltado para outros modelos de negócios, equilibrando a balança.

A maioria das insurtechs de distribuição se concentra em linhas pessoais de automóveis e residências, operando sob os modelos de Broker ou MGA: juntos, esses modelos representam 39% do total. As neosseguradoras representam 9% de toda a distribuição, com destaque especial para México e Brasil.

Em relação às habilitadoras ou enablers, observamos um crescimento de 8 pontos percentuais nos últimos quatro anos, situando esses modelos de negócio em 49% do total dentro do ecossistema insurtech latino-americano.

Dentre elas, destacam-se as que oferecem soluções para digitalização da intermediação tradicional (16%). Também é relevante mencionar aquelas que proporcionam soluções para a gestão de sinistros (14%) e as de detecção de fraudes (5%).

Declarações:

Hugues Bertin, CEO e fundador da Digital Insurance Latam, comenta que “este ano foi um ano de resiliência e aprendizagem. Em particular, observa-se uma forte correlação entre o crescimento do número de insurtechs em um país, sua internacionalização e a presença de associações insurtechs sólidas e colaborativas com o setor tradicional. Ou seja, em um contexto de falta de financiamento, as empresas se tornam mais robustas, os vínculos de cooperação com o setor tradicional se intensificam e os processos de internacionalização se aceleram. Nesse sentido, as associações desempenham um papel fundamental no desenvolvimento do ecossistema”.

Carlos Cendra, Scouting & Investment Lead na MAPFRE Open Innovation, destaca que “a recuperação do financiamento no segundo semestre de 2024, aliada ao crescimento contínuo no número de startups, evidencia a força do ecossistema e da região, que acredita firmemente no potencial da indústria de seguros. Começamos 2025 com novos anúncios de rodadas de financiamento, como os de Sami e Olé Life, indicando que 2025 deve apresentar uma tendência positiva nos números. No entanto, devemos acompanhar a situação global do venture capital e como possíveis oscilações podem impactar a América Latina”.